domingo, 15 de agosto de 2010

Canhotos Humanos ou Direitos Humanos

Aproveito o título deste blog pra explicar uma coisa que gera muita confusão.

Quando se fala em Direitos Humanos, é comum pessoas menos esclarecidas sobre DDHH perguntarem se em situações violentas ou emocionalmente terríveis, os defensores da DUDH continuam a defendendo.

É sempre bom ter em mente que todos somos humanos, sujeitos a erros como ter, em algum momento, uma prática diferente do discurso. Oras, é compreensível que aquele que perde um ente querido de maneira violenta tenha ressentimento tal que o faça, mesmo que por algum momento, a querer vingar-se de forma igualmente violenta, e isso vale para os defensores e ativistas de Direitos Humanos.

O que não pode acontecer é a vingança nortear a política de Estado no tratamento de detentos que sairam fora da lei. O Estado, como organização social a qual estamos inseridos, não é emocional e nem vingativo, ele deve garantir a civilidade, inclusive quando nós mesmos, membros deste Estado, estamos prestes a perde-la.

Nós, que acreditamos nos Direitos Humanos, podemos ser "Canhotos Humanos" em situações pontuais. Porém, exigimos do Estado que seja guardião dos direitos de todos os cidadãos, o Estado Civilizado deve ser o baluarte dos Direitos Humanos, mesmo que este Estado seja composto pelos "Canhotos Humanos", ou simplesmente humanos, que tem, cada um, suas próprias limitações.

Nós nos organizamos como Estado justamente para superarmos nossas limitações. Não haveria sentido na existência do Estado se este fosse emocional e bárbaro.

Eu reverencio aqui a Civilização, a Liberdade e os Direitos Humanos.

1 comentário

Arthur Golgo Lucas disse...

É, mas é muito difícil fazer as pessoas entenderem que o Estado - e portanto necessariamente também cada agente do Estado - não pode sucumbir às emoções e sim apenas aplicar a lei no melhor interesse de nossa própria segurança.

Toda vez que acontece um caso como o do garoto João Hélio, arrastado pelo cinto de segurança e morto durante um assalto, o povo pede que o Estado se comporte como uma ditadura implacável que não respeita o ordenamento jurídico.

Então, quando o Estado se torna uma ditadura implacável que não respeita o ordenamento jurídico, o povo reclama da falta de liberdade, das arbitrariedades e da insegurança, exigindo um Estado Democrático de Direito.

Mal se reestrutura o Estado Democrático de Direito, começam a aparecer os episódios de corrupção e voltam as exigências por um governo de "pulso firme" para "manter a ordem", o que obviamente degenera em autoritarismo novamente.

E assim vai andando a humanidade, com cada indivíduo sempre querendo que os outros façam tudo por ele sem que ele tenha que se incomodar em fazer escolhas nem fiscalizar o Estado e os políticos. Dá no que a gente vê a nosso redor.

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