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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Injustiça,NÃO!

Eu acuso o Estado brasileiro de estar desrespeitando a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a sua própria Constituição, ao admitir que o advogado Fernando Claro Dias e tantos outros em situação semelhante sejam impedidos de exercer a advocacia em função de estarem inadimplentes com a Ordem dos Advogados do Brasil.
Tal entidade fiscaliza o exercício de um ofício cujos profissionais, por incompetência ou improbidade, podem causar danos irreparáveis aos cidadãos que a eles recorrem.
Deixar de pagar as mensalidades devidas à Ordem não é motivo suficiente para que se retire do advogado o direito de advogar. A OAB pode fazê-lo quando o contratante dos serviços do advogado houver sido prejudicado por inépcia ou má fé, não quando ela própria for financeiramente prejudicada.
Sou um cidadão brasileiro me manifestando em nome do espírito de justiça que deve nortear sempre as ações dos homens dignos.
Não sou jurista. Mas, ouso dizer que os juristas coniventes com tal aberração, que a aprovam ou que a justificam com interpretações tortuosas da letra da Lei, não estão sendo, eles próprios, justos.
Sobre tais contorcionismos jurídicos prevalecem os pilares da civilização e do Estado brasileiro:


DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Artigo XXIII
1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
Artigo XXX
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
Dos princípios fundamentais
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer [grifo meu].

Celso Lungaretti é jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

COMPANHEIRO DESESPERADO:
"ESTOU NO LIMITE, OU PASSANDO DELE"

Celso Lungaretti (*)

"Estou no limite ou passando dele! A humilhação e mágoa, constrangimento, tristeza, são muito grandes, irmão! É injusto demais!"

O desabafo é do Fernando Claro, que muitos conhecem pelo blogue O Claro. Trata-se de um advogado sempre disposto a ajudar companheiros injustiçados. Várias vezes deu uma força em cruzadas que lancei ou das quais participei.
Ele próprio, no entanto, está em situação dificílima, porque teve sérios problemas de saúde, ficou temporariamente incapacitado e não pôde continuar pagando as mensalidades devidas à Ordem dos Advogados do Brasil.
Esta, sem considerações de ordem humanitária, aplicou friamente as regras e o privou de sua carteira -- portanto, do direito de exercer a profissão.
Agora já está em condições de voltar à ativa. Mas, sem poder trabalhar, não tem como pagar a dívida que se avolumou. E só o deixarão trabalhar se pagar. É um círculo vicioso, uma situação kafkiana.
Pleiteou, em vão, a anistia dos seus débitos. E recorreu também à OAB Federal, que até agora não sensibilizou-se com seus apelos.
Está desesperado, como se constata nesta mensagem:

"Há decisão do STJ em favor da OAB na questão da anuidade. Mas, direito ao trabalho e renda são direitos individuais fundamentais!
"O sub-procurador da OAB/RJ veio dizer que dívida com anuidade não impede advogado de militar. Tenho, entretanto, várias certidões da OAB/RJ e da OAB/ES proibindo minha advocacia enquanto não quitar o débito.
"Não tenho mais o que perder -- ou, pior, ainda posso perder muito. Mas, para não continuar na miséria e na dor desta tortura, vou escrever pra todo mundo.
"Por questão de ética ou de pruridos corporativistas, não quis ajuizar ação contra a OAB nem propalar na blogosfera. Mas, diante de tantas perdas, o que posso fazer, se não tenho vocação para roubar?"
Desde já agradeço a quem puder interceder ou lhe dar qualquer forma de ajuda.


Para agilizar os trâmites, é melhor que seja contatado diretamente: fernandoclaro.dias@gmail.com

Fonte:
* Jornalista e escritor.
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/
BY HIUMALLAY

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Adoção por homossexuais, o que tem demais?

Adiei o quanto pude essa postagem, por que acho que toco no ponto mais polêmico da legalização do enlace homoafetivo. Já falei em outros posts com todas as letras o porque de eu defender o casamento homo, e em outras oportunidades prometi falar sobre a adoção por um casal homoafetivo. Prá simplificar as coisas vou atrelar o artigo antigo ao novo e exemplificar motivos e justificativas, sempre tentando ser 100% racional. Vamos lá e o que quer que saia, será isso mesmo:

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Educação com gibis. Por que não?

Depois daquele post sobre o Batman de Adam West, resolvi voltar falando de HQ's, e por motivos deveras simples. Histórias em quadrinhos são ótimas ferramentas de alfabetização, e creio que deveriam ser utilizadas com mais freqüência em salas de aula. Você não vai dar um Grande Sertão Veredas a um gurizinho de 7 anos. Mas que mal tem dar um super-herói pra ele? É uma forma de fazer ele se alfabetizar sem que perceba isso. Mas vamos filtrar as coisas, capicce? Eu não daria um gibi do Justiceiro a um rapazinho de 9 anos, por motivos óbvios, mas também não quero fazer como o livro Sedução dos Inocentes, de Fredric Wertham, que criou uma caça às bruxas injusta contra os quadrinhos, atribuindo a eles a culpa sobre a delinquência juvenil. Daí vou dar tratos à bola, e falar tanto dos heróis bacanas para as crianças, quanto aqueles que não colam bem. Não por serem "ruins", mas por exigirem maturidade maior para que o infante abstraia que aquilo é apenas fantasia, com caráter de entretenimento puro e simples. Outra coisa que também é válido mencionar, é que é recomendável que vocês, pais, leiam as revistas antes de entregarem a seus filhos, assim tem certeza do conteúdo que estão transmitindo, e também, é uma ótima porta de entrada para que seus assuntos possam ser mais produtivos. Discute a historinha do gibi, o infantes se desinibe e  Vamos lá?

Obs: A lista vai ser subdividida segundo meus critérios pessoais, mas se seu filho te encher o saco e começar com um "Dá uma revista do LOBO, pai, dá uma revista do LOBO, pai, dá uma revista do LOBO, pai!", a melhor forma de julgar a viabilidade da leitura de maneira imparcial é comprando e lendo

Obs2: Antes que os chatos de óculos fundo de garrafa me encham o saco avisando que errei ou simplifiquei demais determinada descrição, aviso que embora seja um fissurado por quadrinhos, não sou tão íntimo de todos os gibis mencionados, e simplifico sim, por que a resenha atende a minha visão sobre sua aplicabilidade na educação infanto-juvenil, por isso, se alguém vier me torrar a paciência, já fica minha resposta, procura na wikipédia com seu wireless e aproveita pra ir cagar com o notebook no colo.


Heróis show de Bola para crianças:

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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Coletânea de imagens sobre Direitos Humanos...

Enquanto meu próximo artigo não sai do forno, resolvi fazer um drops com algumas imagens temáticas sobre Direitos Humanos. Post perfeito para quem não tem a menor paciência, lê umas duas ou três linhas depois do título, depois se diverte desenhos. Tais imagens coloco mais por serem emblemáticas quanto à luta, algumas são espetáculares, outras nem tanto, mas todas levam em conta como único objetivo divulgar os Direitos Humanos inalienáveis do Cidadão.
Veja e divirta-se.













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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Amélia, Prostituição e CTPS

Escrevo esse post calcado no depoimento do Arthur em Seu Blog, o Pensar não dói. Ele conta a história da Amélia. Uma amiga prostituta, viciada em crack, grávida do segundo filho que jamais vai conhecer o pai visto que ela não sabe quem é.

Diz ele, que em um reencontro, que resultou em uma carona, num bate papo onde faltava assunto, ela, que é semi analfabeta, fazia comentários prozaicos sobre exclusão social, reclamava do governo, e vê se esvair qualquer esperança de um dia realizar seu sonho de se tornar veterinária. "Esses caras pensam que a gente usa crack por que não sabe que faz mal? São uns idiotas! Eles acham que os guris vão pro tráfico por que são gente ruim? São uns idiotas! Esse pessoal só pensa no próprio rabo, não tem idéia de como é nascer e viver do jeito que a gente nasce e vive. São uns idiotas!" Diz Amélia no artigo.




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sábado, 26 de junho de 2010

Campanha Dia sem Globo comentada e com seus efeitos.

Muito se falou sobre a campanha #DIASEMGLOBO, #CALABOCAGALVÃO e #CALA A BOCA TADEU SCMIDT. A Cala a boca Galvão começou como uma piada, que ganhou proporções globais depois que o Galvão foi tuitado como um passaro raro, e que cada Retuíte resultaria em uma doação para a proteção desse animalzinho em vias de extinção. Boa pegadinha.

Mas e as outras duas? A Globo queria uma exclusiva com os jogadores da Seleção, Ricardo Teixeira topou, Dunga não deixou. Alex Escobar ligou, Tadeu Shmidt reclamou, e a globo queria, mas a FIFA não puniu. Nunca gostei do Dunga, pessoalmente acho que treinadores brasileiros de verdade são o Scolari e o Luxemburgo, mas como todo mundo, tirei minha bandana do Manowar em reverência a ele. Ele peitou a Globo, mestres em alienação massificada, coniventes com a ditadura e bagaças afins. Daí a opinião pública não entendeu o por que de espernearem pedindo liberdade de imprensa. E não mencionarem esse pormenor, que foi o estopim da confusão. Preferiram colocar a cereja do bolo, que foram os impropérios do Dunga, como

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quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Bolsa e os “malas”

Esta eleição presidencial de 2010 deve entrar para a história como sendo a mais vazia e sem discussão de propostas que já se viu. Na falta do que dizer, os militantes de ambos os lados brigam para ver qual dos candidatos tem o diploma de graduação mais falso, quem é mais feio, bobo, chato ou cara-de-melão.

Mas uma coisa que me causa engulhos é quando os militantes da oposição tentam emplacar mentiras deslavadas e golpes sujos. E é de um deles (usado até por gente esclarecida) que vamos tratar aqui: um e-mail corrente que circula por aí, e que já foi reproduzido  e “analisado” por REMATADOS IDIOTAS em seus “cantinhos da credibilidade”estão atribuindo ao atual governo a “invenção” de uma tal “Bolsa Bandido”, onde facínoras encarcerados teriam direito a uma nababesca pensão enquanto estivessem cumprindo pena.

Segundo o e-mail (e os rematados idiotas), qualquer bandido que tivesse posto cinco filhos no mundo (e bandido que é bandido é preto e pôs, no mínimo, cinco bandidinhos pretos no mundo, né?) teria direito a ver sua família sustentada pelo governo com o valor de R$ 798,30 POR FILHO. A prole do pilantra estaria recebendo, então, R$ 3.991,50. Uma beleza, né?

OS FATOS
O Auxílio-Reclusão, marotamente rebatizado de “bolsa-bandido”, está regulamentado (assim como

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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Discurso de O Grande Ditador - Chaplin

Passei um tempo sem postar em virtude de uma viagem. De volta à ativa, resolvi publicar esse que é um dos mais belos textos que já li. O discurso final de "O Grande Ditador". Clássico de Charles Chaplin de envergadura comparável à maior obra prima do cinema mudo, "O Garoto", também dele. O grande ditador já pertence a uma época falada, e Chaplin, nesse filme interpreta tanto Hinkel, em uma paródia perfeita de Hitler. quanto um humilde barbeiro (Carlitos), confundido com ele e convidado para executar um discurso em uma rádio. O texto é belíssimo, mas sem mais delongas, fique com ele, e caso não tenha paciência pra ler esse texto longo, ao fim dele, consta o vídeo legendado do momento em que Carlitos confundido com Hitler faz o discurso descrito aqui:

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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Só pra relembrar:

Pretendia colocar esses links em alguma das colunas de ferramentas do blog, mas pra não avacalhar o Layout, vou postar eles aqui como postagem mesmo. Acredito que enquanto não volto a postar (estou de viagem) vale a pena para quem não teve contato, dar uma lida nos posts de maior sucesso por aqui nesse meros dois meses de existência:

Militares entre plumas e paetês
Uma visão bem humorada sobre a presença de homossexuais em instituições de segurança nacional, utilizando o célebre vídeo dos soldados yankees com seu cover de Telephone, da Lady Gaga e Beyonceé como analogia.

Os Nardoni e a Justiça
Uma avaliação crítica do julgamento e condenação do maior espetáculo público dos últimos tempos.

Tecnólogo em mendicância: Essa idéia vai pegar
Apenas uma desculpa pra desfiar meu cinísmo comprovando por A mais B que vale mais a pena ser mendigo do que doutor nesse país.

Por que nos importamos tanto com o casamento gay?
Uma crítica pessoa a nossos valores morais que impedem que tomemos decisões mais racionais e justas, como a validação da união civil entre homossexuais.

Espero que quem não viu antes, goste, e quem quer relembrar, esteja a vontade.

[Apenas lembrando, que caso haja interesse, permito reprodução completa e irrestrita de minhas postagens pessoais, desde que mencionados autor e fonte]

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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Basta ter paciência e assistir até o final.



A melhor parte, é a linda declaração do deputado ao fim do vídeo, o que acham?

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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Que saudades da inocência

Ganhei essa semana de um amigo, um presente que me deixou muito feliz. Um dvd com episódios do seriado do Batman com Adam West. Se não consegue se lembrar, é aquele seriado dos anos 60, com um Batman gordinho. O que isso tem a ver com Direitos Humanos? Já já vai entender. Ele me presenteou por que sabe o quanto sou viciado em cultura pop e coisas Thrash (definição para coisas feitas sem verba e propositalmente mal feitas. Se não teve contato com esse universo, recomendo o filme Ed Wood, do Tim Burton, onde ele conta a trajetória desse excêntrico cineasta e pincela muito bem como é a cultura thrash. Além de Planeta Terror, do Robert Rodriguez e Tarantino, que se assume como "Orgulhosamente Thrash"). Vendo os episódios e matando as saudades de minha infância, notei que aquele era o período do Batman defensor de Direitos Humanos. Pérolas de verborragia como "Para que objetivos nefastos aquele vil criminoso quer a rebimboca da parafuseta, Batman?" além das exclamações magistrais do Robin como "Santos pneus, Batman!" eram misturadas com palavras de esperança do Homem Morcego dizendo crer e desejar a ressocialização dos vilões de Gotham, além de acreditar na existência de uma consciência neles.

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Defensores de Direitos Humanos? Que piada:

Muito me intrigam pessoas que se dizem defensoras de Direitos Humanos, e no frigir dos Ovos, trabalham como ativistas dos direitos de determinada minoria, a minoria a qual pertencem:

"Defende Direitos Humanos?"
"Sim."
"Atua de que forma?"
"Milito na causa feminista".
"E tu?"
"Trabalho em defesa dos homossexuais."
"Você?"
"Ativista dos direitos dos negros."
"E são militantes de Direitos Humanos?"
"Sim, uai".

Que grande piada, sendo bem franco. Milito em favor de Direitos Humanos, mas os Direitos Humanos somente da classe a qual pertenço diretamente. Então as demais classes não são seres humanos, ou não se encontram em postura de serem orientadas e protegidas? Por que?

"Danilo, entenda o contexto, negros, mulheres e homossexuais por exemplo, são vítimas históricas de abuso, e isso se reflete hoje em dia na qualidade de vida deles".

Não questiono isso, oras. Imagino o quanto cada uma dessas minorias deve passar, mas não faço idéia do por que se dizer militante de Direitos Humanos, e segregar todo o restante em função do grupo a qual pertence, inclusive esperneando pra conseguir privilégios que outras castas da sociedade não tem, bradando de ódio quando determinada desigualdade é corrigida reequilibrando o jogo.

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Direitos Humanos VS Polícia:

É alvo de muita polêmica a relação da militância de Direitos Humanos e profissionais de segurança. Não consegui até hoje conceber a contento o por que disso. Vão entender meu ponto de vista, assim espero.

Muitos Clichês permeiam essa relação conturbada:
* Policiais são criminosos
* Bandido bom é bandido morto
* Direitos Humanos foram feitos para defender bandidos
* Por que Direitos Humanos não existem para Policiais?

Pretendo responder tudo isso, de maneira bastante grosseira, já que num único artigo não dá pra pontuar cada uma dessas questões com a devida atenção.
Sempre acreditei que Direitos Humanos deveriam defender seres humanos, e isso inclui policiais. Acredito que todos os defensores tem a mesma crença, a menos que precisem de uma lobotomia. Mas por que então os agentes da polícia se sentem tão desamparados, e os militantes são vistos como vilões? Vou ver se consigo sanar esse questionamento de maneira clara:

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Tecnólogo em mendicância: Essa idéia vai pegar.



Quando um filho vai nascer/
Os pais vem orgulhosos pra dizer/
É um garotão/
Ralam pra pagar os carnês/
Das aulas de inglês, de karate/
De natação/
Meu filho vai ser um estudante aplicado/
Vai virar médico, engenheiro, advogado/
E vou mantê-lo longe dessa confusão/
Bebida, buteco, pandeiro e violão/
Música de Pedra Letícia

Postei esse trecho de uma música do Pedra Letícia, por ter sido a primeira coisa que me veio a mente quando raciocinei sobre este texto. Muitos de vocês já devem ter recebido em uma ou outra oportunidade, um texto em que um desocupado faz projeções sobre quanto mendigos ganham. Hoje sou eu esse desocupado.

Não vou reproduzir o texto aqui, por já ter perdido ele nos meus e-mail, apenas me ocupar de fazer minhas próprias projeções.

Reflita:

Todo mundo que mora em metrópoles e tem algum meio particular de locomoção já deve ter passado por isso. Semáforo fecha, e vem um pedinte atraz das moedinhas que tão no cinzeiro do carro. As vezes nos apiedamos, as vezes não. Mas aí vai a parte técnica do assunto:

Supondo que no prazo de uma hora, o sinal faça 20 revoluções de de verde à verde. Ou seja, gaste um minuto em cada cor de advertência. os carros param, e um pião sai de carro em carro com uma latinha vazia de Sustagen(vi isso ontem em Belo Horizonte) perguntando se você tem uns trocados. Você pega o que tiver na frente pra ele ir embora o quanto antes, e segue seu caminho. Nesse prazo de um minuto, com o transito bom, param de 5 a dez carros no sinal, mas vamos imaginar que ele se contente com R$1,00 por virada. Vinte viradas, vinte reais em uma hora.

Continuando nossa viagem, imaginando que nosso amigo mendigo exerça uma carga horária de 44 horas semanais, o mesmo que uma pessoa que trabalha no poder privado. Nove horas diárias de segunda a quinta, e oito horas na sexta feira, a exemplo dos horários de uma marcenaria(na minha cidade é assim). Entre segunda e quinta, ganha R$180,00 diários, na sexta feira, R$160,00. Total semanal: R$880,00 multiplicado por 4 semanas: R$3520,00(UAAAAAU, isso é o salário de um engenheiro em início de carreira, na realidade um pouco mais!!!)


Em escala comparativa, um pedreiro em uma cidade pequena, ganha R$90,00 reais. Um servente contratado ganha a exata metade, pra mexer massa e carregar peso o dia todo.


Por isso, a partir de hoje eu nego, e digo isso com a boca mais cheia do mundo. Se mendigos me pararem, eu peço esmola pra eles, por que ando precisando mais. Ganho menos, tenho mais contas e urro pra pagar por elas.


Me pergunto por que até tão pouco tempo eu ficava com pena de um pião que ganha mais que eu. E pelo menos agora sei o por que de ser mais fácil pedir que estudar ou trabalhar. Trabalham menos do que eu quando era funcionário público.


Daí vai a proposta que nomeia o tópico. Rogo ao MEC que valide a graduação tecnológica em mendicância. Listo aí alguns módulos que fariam toda a diferença no currículo:


1. A melhor forma de fazer cara de auto-piedade
2. Como sacudir a latinha de sustagen de maneira mais eficiente
3. Maneira correta de se fazer ataduras na perna e se passar por aleijado
4. A psicologia do trabalhado, como escolher as pessoas mais impressionáveis.
5. Onde esconder com eficácia as notas que ganhar, para parecer mais ferrado balançando moedinhas de pouco valor.


Acredite. Esse curso vai ser um sucesso.

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Surdos são deficientes? Não acho:

A algum tempo questionei com um vereador do município onde resido, com muito carisma entre a população, o por que de surdos serem, ou não, deficientes. Sabem o que acho? Acho que descobriram o que imagino pelo título do post.

Vou explicar o porque:

Para tanto, imagine o que torna um surdo um deficiente. Pensou em algo? vou ser breve na explicação. Dificuldade de comunicação. Resolvido o problema de comunicação, superada a deficiência. Simples assim. Salvo deficiência auditiva, surdos contam com plenitude física e psicológica. Mas são em sua maioria tratados como deficientes mentais, ou estrangeiros, por não poderem se comunicar conosco, ouvintes.

Então por que cargas d'água, a Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) não é regulamentada como matéria obrigatória no ensino primário? Os avanços na questão seriam evidentes, visto que não é algo complicado de se aprender. Só citando alguns exemplos, minha mãe, com 49 anos, dominou o idioma, em um cursinho de módicos R$10,00, e que só não saiu de graça por falta de apoio tanto público quanto privado, e consumia manhãs de sábado. Mais do que ela, um amigo meu, vendo-se forçado a aprender visto que havia engatado namoro com uma garota surda, aprendeu em video-aulas do Youtube, curioso, não acha?

Por que então não ensinam crianças, cada vez mais cedo isso, facilitando assim a inclusão social de uma das camadas da sociedade que de certa forma se vê forçada a permanecer como tal, segregada unicamente ao seu singular círculo de convívio social. Feito isso, surdos não precisariam de escolas especiais. Feito isso, surdos conseguiriam se encaminhar de maneira mais efetiva ao mercado de trabalho. Feito isso, surdos teriam mais horizontes profissionais, talvez, num futuro não tão distante, se graduar em um número satisfatório, em cursos superiores.

Mas por que questionar esse tipo de coisa, não é? É mais fácil colocar em votação o Dia do Samurai, do que consumir verba que poderia muito bem ser empregada em algum desvio.

Lembrem-se, meus caros, surdos não são idiotas, e percebem quando você dá risada das onomatopéias que soltam na tentativa malsã de falar, coisa que nunca aprenderam, por que nunca ouviram, e seu convívio acaba se reduzindo a pessoas que despresam o vocabulário de Libras, ou simplesmente, encontram-se em igual condição.

Mas é fácil ignorarmos essa entre tantas outras coisas. Eu não tenho nenhum surdo na minha família, e acho que você também não.

I'll see you in the future!

[Autorizo reprodução irrestrita do conteúdo, desde que citados Autor e fonte]

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Os Nardoni e a Justiça:

Dois anos da morte de Isabella Nardoni, pai e madrasta culpados e opinião pública torcendo como final de Brasileirão. Pegue uma pipoca, segure seu copo de Coca Cola, o espetáculo vai começar.

Muitos vão questionar eu levantar um assunto que já a alguns dias sumiu da mídia, mas acho que vale muito a pena mencionar isso, principalmente por que é a primeira vez desde que criei esse blog que me sinto auto-confiante o suficiente para escrever algo cem por cento autoral.
Desde que esse absurdo veio a tona eu raciocino sobre isso. Sobre o quanto esse crime foi bárbaro, sobre a interrupção brusca da vida de uma criança que poderia ter oferecido muito caso houvesse oportunidade.
Mas a questão que me levou a escrever isso cerca de 3 semanas depois, foi raciocinar sobre o espetáculo de horrores que virou o julgamento sobre a morte de Isabella Nardoni. Não nego que me chocou. Assim como vocês não acredito na inocência do casal Nardoni. Mas fico imaginando. O julgamento, foi justo? Essa é a grande questão a meu ver.
Desde que o crime aconteceu, a mídia foi implacável na cobertura e no juízo, deixando suficientemente claro quem eram os culpados antes mesmo que a perícia chegasse a uma conclusão. Disseram diversas coisas, fizeram projeções, e deixaram o populacho na expectativa. E é aí que eu quero chegar.
O que, afinal de contas, o caso Nardoni tem de tão espetacular, que o caso do Tião da borracharia, que estupra a enteada quando a esposa sai, não tem?
Afinal de contas, o que motivou toda essa balbúrdia? Acho que vou morrer nessa dúvida.
A coisa foi tão bisonha e avassaladora, que em questão de dias, apareceram centenas de orkuts com um álbum feito especialmente com fotos de Isabella Nardoni, e a frase Luto pelo Anjinho Isabella Nardoni. Meu caro, isso é bizarro. se você fez isso, não venha me dizer que de fato guardou luto, por que a menos que você seja um familiar da menina ou amigo da família, e isso digo com o devido respeito e pêsames aos parentes próximos, que de fato tem motivação para tanto, tu não passa de um hipócrita. Realmente guardou luto por alguém que pra você não passa de manchete do Jornal Nacional?
Mas refinando um pouco a coisa, já que provavelmente vão me chamar de defensor de bandidos por que sou militante de Direitos Humanos e questiono a validade do julgamento. Você que me lê agora, crê em seu âmago, que a pena seria tão pesada caso a Rede Globo não estivesse espremendo cada gomo desse assunto? Acredita de fato que Juiz e Juri foram imparciais? Sinceramente eu não acho depois de diversas redes apontarem o dedo e escolher um culpado, que eles raciocinaram usando unicamente o cérebro. Acho inclusive, que o Tião da borracharia teria uma chance melhor.
Não me levem a mal, eu só imagino que quando Marx disse que "A religião é o ópio do povo" é por que ele não tinha conhecido o Roberto Marinho. Suponho, devidamente instalado no conforto de meu sofá na culpa do casal Nardoni e tanto quanto vocês, queria essa condenação. Mas desejaria a condenação a partir de um julgamento justo e imparcial, coisa que teria acontecido caso não houvessem pilhas e pilhas de câmeras de tv filmando passo a passo de um caso que não dizia respeito a absolutamente ninguém, assim como não lhe dizem respeito tantos casos vizinhos de pessoas que matam esposos e esposas, mulheres que matam filhos, homens que estupram filhas. E garanto, se você tem mais de 15 aninhos de idade nas costas, já ouviu um caso desses envolvendo um conhecido. Daí me pergunto, fez um álbum memorial no seu orkut em homenagem à vítima? Que fique claro que não estou esfregando isso na cara de todos, apenas na dos que aderiram a essa palhaçada.
E não para por aí. Lembro até hoje do caso Lindemberg e Eloá. Cárcere privado, um mar de câmeras de vídeo tão intenso que eu assistia e não sabia quem era reporter e quem era oficial do G.A.T.E., uma atuação desastrosa do resgate que deixou que uma menina de 15 anos tentasse mediar uma situação de risco arriscando a própria vida e a de terceiros, A "psicóloga" Sônia Abrão, com sua especialidade em revista Contigo tentando fazer o mesmo ao vivo em rede nacional, e o desfecho trágico. Lembro que naquela situação eu estava no M.S.N. na hora do assassinato por ter horror de televisão, e fui um dos que, pelo país inteiro, recebeu uma corrente pedindo orações pela vida de Eloá Pimentel, que estava prestes a ser assassinada, por três ou quatro vezes, de pessoas de partes muito distintas Brasil. Parece que toda essa mobilização não deu muito resultado. Falta de fé? Não sei. Tempos depois vi pessoas e mais pessoas clamando a cabeça de Lindenberg, um cidadão claramente perturbado. Tempos depois vi um juiz falando de clamor popular. Tempos depois, vi essas mesmas pessoas ignorando completamente o ocorrido.
Você aí sentado na poltrona, acha que em algum dos casos, houve de fato um julgamento justo? Em ambos acredito na culpa, no segundo, inclusive nem acredito, eu sei por que vi pelas lentes da emissora do Edir Macedo. Mas acha, no conforto de sua casa, que em algum desses casos, sem essa intervenção absurda da imprensa, a condenação teria tido o mesmo impacto e seria tão impiedosa?
Você, que bateu palmas pra condenação do casal Nardoni, estourou fogos quando o Tião da borracharia foi pego? Pense nisso depois, você é apenas um mentiroso e pior que qualquer coisa, mente pra si, achando que está com a razão e que tudo é justiça.
E apenas pra finalizar, depois desses dois exemplos, vou fazer uma proposta: Criemos então a TV Tribunal, onde todo mundo vai assistir devidamente munido de cerveja e tira-gosto, e votar condenação e sentença por S.M.S. O que acha? De repente é sua chance de condenar quem achar culpado segundo a justiça imposta pela T.V.

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